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Sessão na Câmara destaca violência sexual contra crianças e adolescentes e aumento das denúncias no Disque 100

19 de maio de 2026
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Sessão na Câmara destaca violência sexual contra crianças e adolescentes e aumento das denúncias no Disque 100Sessão solene na Câmara debate dados e propostas sobre violência sexual contra crianças e adolescentes.

A Câmara dos Deputados realizou sessão solene no Plenário em referência ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado em 18 de maio. A sessão, registrada em 19/05/2026 – 15:47, reuniu representantes do poder público e de organizações para discutir números e medidas de proteção, conforme dados de órgãos como o Ipea e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Dados sobre ocorrências e denúncias

A cada hora, oito crianças são vítimas de violência sexual no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A estimativa aponta que apenas 8,5% desses casos são denunciados.

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Disque 100 recebeu 32 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes entre janeiro e abril deste ano. Esse número representa alta de 50% em relação ao mesmo período do ano passado.

Perfil das vítimas e dos agressores

A presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Deila Cavalcanti, informou que mais de 12 mil meninas com menos de 14 anos engravidaram após sofrer violência sexual. Segundo ela, os agressores costumam ser pessoas próximas das vítimas.

“Infelizmente, são pessoas da confiança dessa criança. Essa violência acontece dentro de casa, praticada muitas vezes pelo pai, pelo padrasto, pelo avô, pelo tio”, disse Deila Cavalcanti.

Ela também citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo os quais 34 mil crianças de 10 a 14 anos vivem em relações com adultos. Deila lembrou que a legislação brasileira considera estupro de vulnerável qualquer relação sexual com menores de 14 anos.

Autoridades e orientações

A sessão foi presidida pela deputada Delegada Ione (PL-MG). A parlamentar afirmou que a mobilização vai além da campanha Maio Laranja e representa um compromisso permanente de conscientização e proteção das vítimas.

Segundo a deputada, muitas crianças e adolescentes não conseguem pedir ajuda porque sentem medo, culpa ou não entendem que são vítimas de um crime. “A violência sexual contra crianças quase nunca deixa marcas apenas no corpo. Ela destrói a confiança, rouba a inocência e deixa feridas emocionais que podem acompanhar a vítima por toda a vida”, afirmou.

A Delegada Ione orientou pais e responsáveis a observar mudanças de comportamento das crianças, supervisionar o uso da internet e estimular ambientes seguros de diálogo. “A proteção começa dentro de casa, mas precisa continuar nas escolas, nas instituições, nas igrejas, nas redes sociais e no Estado”, declarou.

Propostas de monitoramento e prevenção

A vereadora de Contagem (MG) e procuradora da Criança e do Adolescente, Keyla Cristina (PL), defendeu a unificação dos dados sobre esse tipo de crime no Brasil. Ela afirmou que houve aumento de casos de adolescentes que cometem violência sexual contra outras crianças e adolescentes e disse: “Quem não mede não consegue gerenciar”.

Keyla também apontou influência de conteúdos pornográficos na educação sexual de crianças e adolescentes e criticou a naturalização de relações afetivas envolvendo menores de 14 anos.

Fortalecimento familiar e ações em rodovias

A diretora do Instituto Isabel, Andressa Bravin, defendeu ações de fortalecimento familiar. Ela citou estudo dos Estados Unidos que apontou maior incidência de maus-tratos, negligência e abuso infantil em famílias com apenas um dos pais e um novo parceiro, em comparação com famílias formadas por pais biológicos casados.

O Sest Senat, serviço social do setor de transporte, mantém o Projeto Proteção em parceria com a Childhood Brasil para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas. Nicole Carvalho, diretora-executiva nacional do Sest Senat, informou que o projeto capacita motoristas e incentiva denúncias de exploração sexual nas rodovias.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes

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